Reforço ao capital da Caixa

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Instituição negocia com o Tesouro repasse menor de dividendos para manter o ritmo de expansão do crédito acima de 40% ao ano

 

O Tesouro Nacional pode abrir mão, neste ano, de parte dos dividendos da Caixa Econômica Federal e, com isso, reforçar o capital da instituição para que ela possa continuar aumentando as suas operações de crédito a um ritmo superior a 40% ao ano. Nos primeiros nove meses, a Caixa apresentou um lucro líquido de R$ 4,2 bilhões, 18% a mais do que o resultado obtido em igual período do ano passado.

Segundo o vice-presidente de Controle e Risco do banco, Raphael Rezende Neto, a Caixa pretende expandir suas operações de crédito em 42% este ano, encerrando 2012 com um saldo de R$ 355 bilhões. No fim de setembro, o valor estava em R$ 324,5 bilhões. Cerca de 80% do total emprestado pela instituição é formado por financiamentos nas áreas de habitação, saneamento e infraestrutura, crédito consignado e operações com grandes empresas.

De acordo com o presidente da Caixa, Jorge Hereda, “os números apresentados ao longo desses nove meses, tais como a ampliação da participação no mercado de crédito, a baixa inadimplência e o forte aumento no número de clientes, são resultado da estratégia de oferecer as menores taxas e tarifas do mercado”. O percentual de créditos com atraso superior a 90 dias ficou estável em 2,06%. A média mensal de abertura de contas de pessoas físicas passou de 205 mil, em março, para 251 mil em setembro. No caso de empresas, subiu de 27 mil para 40 mil.

Capital

Rezende Neto contou que as negociações com o Tesouro Nacional, único acionista da instituição, estão se desenvolvendo de forma bastante tranquila, até porque a Caixa vem dando ao governo um retorno de 27,5% ao ano. “Não se trata mais de capitalização, mas de investimento”, frisou o vice-presidente.

Ele disse que, dos R$ 13 bilhões injetados pelo Tesouro Nacional na instituição em agosto, numa operação de crédito sem data de vencimento, a Caixa já conseguiu converter cerca de R$ 2 bilhões em capital de nível um. Os restantes R$ 11 bilhões podem ser colocados no mesmo nível, desde que o banco consiga aumentar o capital próprio, o que pode ser feito pela retenção de parte do lucro, sem a necessidade de um aporte direto.

No momento a Caixa tem sobra de recursos. O índice de Basileia, que mede os ativos da instituição ponderados pelo risco das operações que carrega, está em 12,6%, acima do mínimo de 11% exigido pelo Banco Central. A Caixa garante que sua carteira de crédito é de excelente qualidade. No fim de setembro, mais de 90% das operações estavam classificadas nos ratings de AA a C, que exigem menor nível de provisionamento para prevenir perdas, já que são créditos avaliados como seguros. O patrimônio líquido da instituição alcançou R$ 22,5 bilhões em setembro, com evolução de 24,6% em 12 meses.

 

Fonte: Correio Braziliense