Da esquerda para a direita: José Avelino, Rodrigo Britto, Rosane Alaby e Talita Régia
Independentemente do local de trabalho, os bancários devem participar de alguma forma da Campanha Nacional 2011. O apelo foi feito pelo Sindicato durante o 2º Seminário dos Trabalhadores em Instituições Financeiras Privadas, realizado sábado (17). Reunidos por mais de quatro horas, funcionários de bancos privados, cooperativas e financeiras assistiram palestras e participaram de debates sobre conjuntura econômica, política e sindical e igualdade de oportunidades.
“Nossa intenção foi reforçar a mobilização para a Campanha Nacional 2011 sem deixar de lado outras discussões igualmente importantes, como assuntos específicos do dia a dia de cada empresa. Para isso, já foram realizadas pesquisas, encontros e congressos”, afirmou Talita Régia, diretora do Sindicato e funcionária da Cooperforte.
A atuação da chamada grande mídia, que vende os reajustes salariais como responsáveis pela inflação, foi duramente criticada pelo secretário de Estudos Socioeconômicos do Sindicato, Antonio Eustáquio, em sua análise de conjuntura econômica, política e sindical. Segundo ele, tem sido construído um discurso equivocado e violento contra os trabalhadores nesse sentido.
Eustáquio explicou que, dentro do conceito de emprego decente, é fundamental que exista efetivamente uma elevação da renda do trabalhador. “Na medida em que se consome mais, geramos mais produção, e, consequentemente, mais emprego e mais arrecadação. É essa arrecadação que vai propiciar ao Estado maior equilíbrio fiscal e crescimento. Salários decentes não causam inflação. Pelo contrário, precisamos de aumento real de salário porque esse é um dos mecanismos para fazer distribuição justa de renda, capaz de movimentar a economia do país.”
A alta rotatividade de empregos é outra preocupação do movimento sindical. Dados apresentados por Eustáquio mostram que em 2010 foram criados apenas 3 milhões de empregos formais. De acordo com ele, o Brasil tem vivido um cenário de rotatividade altamente nocivo, uma vez que registrou 15 milhões de admissões ao mesmo tempo em que demitiu 12 milhões de trabalhadores. A causa disso, em sua visão, é a facilidade das empresas em dispensar mão de obra para fazer planejamentos financeiros. “Elas demitem os trabalhadores com salários mais altos e contratam novos para ocupar o mesmo cargo, com salários mais baixos.”
“Essa é uma das causas de a remuneração média do bancário está tão baixa. Em nossas campanhas, precisamos manter a geração de empregos com melhores salários e menos abusos contra os trabalhadores”, acrescentou Eustáquio.
Eustáquio (microfone): dentro do conceito de emprego decente, é fundamental que exista efetivamente uma elevação da renda do trabalhador
Igualdade de oportunidades
A luta do movimento sindical em defesa das minorias foi abordada pela secretária de Assuntos Jurídicos da Contraf-CUT, Mirian Fochi. Ela lembrou o início do debate sobre o tema, ainda em 1990, e a importância de ter, na minuta de reivindicações, cláusulas específicas contra atos discriminatórios.
Segundo Mirian, as mulheres, os negros, as pessoas com deficiência e os homossexuais são os que mais sofrem preconceito. “As empresas se acostumaram a desrespeitar o artigo I da Declaração Universal dos Direitos Humanos, segundo a qual todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.”
Ao citar o primeiro debate sobre a Convenção de Discriminação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), realizado no Encontro Nacional dos Bancários, em 1992, Mirian analisou como o assunto tem sido tratado dentro dos bancos. Ela disse que apenas contratar mulheres, negros e pessoas com deficiência não resolve o problema. “É preciso dar também condições de trabalho e acabar com a discriminação. Essa luta não é somente das mulheres e dos homossexuais. É dos homens também”, completou.
Secretária de Imprensa do Sindicato e integrante da Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual (CGROS) da Contraf-CUT, Rosane Alaby incentivou os bancários a participarem dos debates e também a denunciarem casos de discriminação dentro do local de trabalho. “O Sindicato tem uma estrutura pronta para dar suporte, tanto na área psicológica quanto na jurídica, se for necessário, às pessoas que estão sendo vítimas de discriminação”.
Saúde
Relatos apresentados pelo psicólogo Vitor Barros, principalmente de bancários do Santander, relevaram que tem aumentado o número de funcionários que sofrem de síndrome do pânico, de depressão e que têm intenções suicidas e/ou homicidas.
Já no Itaú Unibanco, a campanha publicitária ‘Mais por Menos’ pode ser traduzida em ‘mais trabalho e menos pessoal’, segundo Barros. “É muito bonito falar que o Itaú é o banco mais sustentável e que está entre as 150 melhores empresas para se trabalhar. Mas como essa empresa deixa o superintendente sonegar informações? Como deixa seus gerentes brigarem na frente dos clientes?”, denunciou Barros.
Segundo o psicólogo, a situação enfrentada pelos bancários está tão grave que as atitudes hostis tem partido também dos pares, “dos funcionários que deveriam cobrar do banco melhores condições de trabalho, mas que estão cobrando do colega que adoeceu por este não conseguir continuar trabalhando”, observou.
Para a secretária de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato, Fabiana Uehara, os bancários precisam utilizar as ferramentas disponíveis a seu favor. “Em janeiro, os nove maiores bancos do país assinaram um acordo contra a violência organizacional. Nós temos essa arma e precisamos usar, denunciando as ameaças e informando aos colegas que o Sindicato está preparado para prestar assistência no que for necessário”.
Participaram da mesa de abertura os presidentes do Sindicato, Rodrigo Britto, e da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte (Fetec/CN), José Avelino, além de Rosane Alaby, Fabiana Uehara, Talita Regia e Vitor Barros.
Ainda durante o seminário, os bancários fizeram um minuto de silêncio em homenagem a Targino Pereira, irmão do secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Miguel Pereira, falecido na quinta-feira (15).
Pricilla Beine
Do Seeb Brasília





























































































































































