Encontro debateu a estrutura sindical chinesa e as formas de organização em empresas transnacionais
EncontroDurante os dias 08 e 09 de dezembro de 2008, a central sindical chinesa ACFTU e a CSI – Central Sindical Internacional promoveram o seminário "Empresas Multinacionais e Organização" para expor as práticas adotadas pelo movimento sindical na China. O evento ocorreu no centro de treinamento da OIT – Organização Internacional do Trabalho em Turim, Itália, e contou com a participação de 21 entidades internacionais, entre centrais sindicais e federações de ramo. Para sanar a curiosidade dos representantes dos 16 países presentes, incluindo o Brasil representado pela CUT, a delegação chinesa apresentou uma série de informações sobre a sua estrutura e as principais ações para organizar os trabalhadores da potência emergente. Atualmente a China tem mais de 1,7 milhões de sindicatos, 209 milhões de trabalhadores sindicalizados, que representam uma taxa de sindicalização de 77,4%. Os dados das companhias multinacionais também impressionam. Hoje são mais de 124 mil empresas multinacionais atuando na região, com uma taxa de sindicalização de 81,8%.
O diretor da ACFTU, Guo Wencai, frisou em sua apresentação as dificuldades dos sindicatos para lidar com a globalização e com as multinacionais. Comentou também que recebem muitos contatos de trabalhadores preocupados com a redução de direitos e salários e para evitar essa flexibilização a central vem participando ativamente na formulação de leis de proteção aos direitos dos trabalhadores. Para ilustrar o empenho destinado à organização de trabalhadores em empresas multinacionais, o sindicalista relatou o esforço realizado com a cadeia varejista americana Wal-Mart, famosa por dificultar a sindicalização de seus funcionários no mundo todo.
"Como resultado da sinergia criada com os sindicatos locais, uma primeira loja foi organizada em julho de 2006. Um mês depois promovemos encontros especiais e em 60 dias já tínhamos 70 lojas Wal-Mart organizadas em 30 cidades diferentes", informou Wencai. O sucesso da empreitada contou com a ajuda de uma campanha nacional de mídia promovida pela central e após uma coletiva de imprensa, a maior da história da entidade segundo relatos, a empresa americana concordou em liberar a sindicalização de seus funcionários.
De acordo com a delegação chinesa, a central pretende continuar o trabalho de organização dentro das multinacionais que atuam no país, inclusive naquelas que impedem a sindicalização de seus empregados. Para isso criou um banco de dados com informações completas dessas companhias com número de unidades, atividade principal, funcionários, benefícios, etc. O objetivo da ACFTU é avançar nas 500 principais transnacionais operantes na China. A elevação do número de acordos coletivos também é uma meta da central, que conta com uma equipe de especialistas para auxiliar os sindicatos nas negociações.
Questionados sobre o sistema rígido adotado pela ACFTU, sobre a participação do partido nacional nas ações da central e sobre a possibilidade de participação em redes de solidariedade internacional, os chineses declararam que o movimento sindical local ainda está em processo de adaptação pós abertura econômica do país e que o momento é de dar prioridade às questões internas. Temas como proteção legal aos trabalhadores na China e a atual crise financeira também foram abordados durante o encontro. Segundo o responsável pela área jurídica da ACFTU, Xie Liangmim, os sindicatos chineses têm participação na elaboração das leis trabalhistas e sindicais, mas ainda existem problemas de implantação.
A dirigente chinesa, Zhu Bin, ponderou sobre a atuação da central frente à crise e afirmou que muitos negócios foram afetados, com fechamentos ou suspensão da produção. Para enfrentar o período adverso, a ACFTU está oferecendo serviços de recolocação para os trabalhadores que perderam o emprego e está trabalhando com agências governamentais para prevenir fechamentos de empresas e redução de benefícios e salários.
Para municiar os participantes do seminário, algumas ferramentas de monitoramento e de combate às práticas anti-sindicais das multinacionais foram apresentadas. O uso dos acordos marcos globais foi incentivado durante a apresentação de Jim Baker, representante do Council of Global Unions. Baker frisou a importância de se incluir o direito à organização nesse tipo de acordo e de se unificar a luta dos trabalhadores de uma mesma empresa. John Evans, representante da TUAC – Trade Union Advisory Committee, apresentou os resultados dos casos levantados por sindicatos com base nas diretrizes para empresas multinacionais da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Dos 53 casos encerrados, 28 tiveram resultados positivos para trabalhadores e sindicatos, segundo Evans. Os chineses, que não são membros da OCDE, também comentaram que preferem usar as táticas de negociações internas e que, na opinião deles, os acordos marcos globais são apenas cópias das convenções da OIT.
O choque de culturas ficou evidente nos dois dias de seminário, mas a troca de informações foi produtiva a todos. Para o secretário geral da CSI, Guy Ryder, o encontro foi só um primeiro passo de aproximação e decisões políticas precisam tomadas a partir dessa experiência. "É uma decisão nossa, particular, promover ações conjuntas", concluiu.
Escrito por Fernanda Saint’Clair
18/12/2008
Fonte: www.cut.org.br


























































































































































