A Coordenação dos Movimentos Populares (CMS) realiza nesta quinta-feira 19 manifestação em frente à sede do Banco Central, em Brasília, contra a nova escalada de aumento nos juros no país. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Sindicato dos Bancários de Brasília estão na linha de frente do protesto.
O Sindicato vê na postura do Comitê de Política Monetária (Copom) uma ameaça à perspectiva de crescimento econômico sustentado, à geração de emprego e ao aumento dos salários. A desaceleração da economia joga água no moinho do movimento concentrador de renda, cujo efeito mais imediato é o empobrecimento da população, com forte impacto nos indicadores sociais, sobretudo no que se refere ao desemprego e à deterioração das condições de saúde, moradia e educação.
Só no primeiro quadrimestre deste ano, foram desviados do Tesouro R$ 44,4 bilhões para pagar juros e encargos da dívida pública. O aumento crescente da taxa Selic significará também o crescimento vertiginoso dessa sangria.
O Banco Central apela para o fantasma da inflação e aponta o crescimento da demanda como causa a ser combatida com aumento dos juros. Os economistas que não se alinham com essa concepção enxergam a inflação mais como problema de custo do que de demanda e acham que conter o crescimento inflacionário com juros altos terá efeitos extremamente negativos sobre a produção, os investimentos e as condições de vida da população.
Há inclusive dados que se contrapõem ao terrorismo do BC. O Dieese revela que houve diminuição do descompasso entre a demanda interna e a capacidade produtiva da indústria. O crescimento industrial de 7,3% ficou acima do crescimento do consumo das famílias, de 6,6%. O estudo destaca que a alta dos preços não foi generalizada, concentrando-se em seis itens básicos da alimentação: arroz, feijão, carne, óleo, derivados de trigo e leite e que muitos dos problemas que levaram ao crescimento da inflação já estão sendo equacionados.
Para o Dieese, o que precisa ser feito é aumentar de forma ágil a oferta de alimentos e não permitir que o ajuste inflacionário se dê à custa da população de menor poder aquisitivo.
A retomada dos aumentos na taxa de juros aponta para uma Selic superior a 14% no final de 2008. Seria a mais alta taxa de juros do planeta. O Sindicato não medirá esforços em sua atuação contra essa irracionalidade, sempre em sintonia com a campanha Menos juros, mais desenvolvimento desencadeada pela CSM e a CUT.


























































































































































