‘Sistema financeiro pode criar condições para investimentos’

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Lançado há três meses, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) promete ser a menina dos olhos do governo federal neste segundo mandato. As ações do programa terão entre as prioridades maior investimento em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico, como os de infra-estrutura básica, por exemplo. O cenário para o Brasil crescer com distribuição de riqueza nunca esteve tão favorável.

Lançado há três meses, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) promete ser a menina dos olhos do governo federal neste segundo mandato. As ações do programa terão entre as prioridades maior investimento em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico, como os de infra-estrutura básica, por exemplo. O cenário para o Brasil crescer com distribuição de riqueza nunca esteve tão favorável.

A tese é dos economistas Cézar Medeiros e Antônio Prado, que discutiram no Brasília Debate do dia 24 de abril o papel dos bancos públicos num cenário em que a economia brasileira dá sinais de estabilidade e ensaia fôlego. Realizado numa parceria com a Fundação Perseu Abramo, o evento marcou ainda o lançamento na capital do livro de Medeiros A Dualidade Contemporânea no Brasil-Estratégias para financiar um novo ciclo virtuoso e duradouro de crescimento.

O que o autor propôs no debate é o que sustenta sua linha de argumentação no decorrer do livro: faltam mecanismos e estratégias ao governo para a correta aplicação dos recursos financeiros a ponto de alavancar o país ao patamar das economias potencialmente competitivas. “O Brasil dispõe de um montante de recursos ociosos, como os de fundo de pensão, de investimentos, os de multinacionais e mesmo de empresas nacionais. De outro lado, desde 2003, o governo vem contemplando setores que precisam de infra-estrutura”, disse Medeiros. O Brasil carece, portanto, é de esforço político para avançar tecnologicamente, apontou ele.

Para o economista, o Estado pode financiar este desenvolvimento hoje sem precisar recorrer à captação de recursos externos, como fizera no passado. Isso garantiria, acrescentou, suporte para o crescimento com inclusão social, gerando um ciclo vicioso pelo qual a guinada da economia promoveria o acesso da população ao consumo, o que, por sua vez, promoveria a expansão do mercado interno.

Medeiros também criticou a política de juros do Banco Central, que classificou de ortodoxa. “A adoção por parte do Banco Central de uma taxa básica de juros mais baixa daria condições ao Brasil de expandir sua economia”, alfinetou. E sugeriu a interligação entre as estatais, através de uma espécie de holding, para a captação de dividendos como alternativa para mudança de roteiro da política do BC. “Com a diminuição da dívida pública, obviamente seria reduzido o endividamento do governo, proporcionando a redução da taxa de juros”.

O Estado como gestor

Apontando na mesma direção, o chefe do Departamento de Relações com o Governo do BNDES e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antônio Prado, concorda que há recursos públicos ociosos e que ao governo falta mobilização para o financiamento dos investimentos.
Dados do IBGE apresentados por ele apontam que a União aplicou somente 16% do que poderia investir.

“Vivemos o paradoxo de possuir fundos, mas que estão sendo esterelizados dentro do sistema financeiro”, constatou, também tecendo criticas à política cambial do BC. “A Selic é uma taxa ainda muito elevada. E a questão é: se ela não cai em ritmo adequado, arcamos com fenômenos que afetam negativamente a economia, como a taxa de câmbio. Alguns setores investem tendo como referência a taxa de câmbio, já que ela afeta a rentabilidade de diversos segmentos industriais”.

Para ele, a gestão da política cambial e monetária pode sinalizar situações que impedem a decisão de investimento pelo governo. Em 2004, por exemplo, o BC decidiu interromper o crescimento dado o cenário de possível inflação que se avizinhava, intimidando a aplicação de recursos dos empresários. “A política cambial precisa dar uma chance aos investidores”.

Outro ponto levantado pelo professor como entrave à expansão da economia diz respeito à questão de onde investir o capital excedente. Ele afirmou que o melhor caminho seria investir em infra-estrutura porque geraria produtividade e aumentaria a oferta de empregos. “E neste caso o papel do Estado através das instituições adequadas é fundamental para um crescimento econômico sustentável com distribuição de renda”, arrematou.