Para quem gosta de música brasileira de qualidade, Vânia Bastos é cais, viagem com certeza de bons ventos, mar calmo de sonoridade eterna. Um gosto de sol no inverno que a indústria da música quer nos impor, mas nós não aceitamos.
Assim o compositor mineiro Fernando Brant refere-se a essa intérprete que teve a coragem de trilhar um caminho peculiar na música brasileira, sem concessões às fórmulas comerciais, na apresentação do CD Vânia Bastos Canta Clube da Esquina, lançado em 2002.
É doce ouvir Vânia Bastos, mais doce ainda ouvi-la cantando nossas canções, acrescenta Brant. A suavidade de seu canto e a inteligência de sua abordagem revelam novas paisagens, um gosto novo de sol, uma estrada que não imagináramos. Nada será como antes depois desse delicado viajar de sua voz pelas nossas esquinas.
Com oito discos lançados, dois dos quais dedicados às obras de Tom Jobim e Caetano Veloso, Vânia Bastos é uma das mais belas vozes da música popular brasileira. Ela tornou-se conhecida inicialmente por seu trabalho como solista na banda Sabor de Veneno, de Arrigo Barnabé, com quem gravou dois discos: Clara Crocodilo (1980) e Tubarões Voadores (1984). Cantou depois com a banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção, participando do festival da Globo de 1982.
No final dos anos 80, Vânia iniciou carreira solo, gravando Eduardo Gudin e Vânia Bastos, com músicas e arranjos do próprio compositor, que inclui uma das primeiras músicas de José Miguel Wisnik. Nessa época também gravou Corra e olhe o céu, no disco em homenagem a Cartola, tendo como colegas de elenco Gal Costa e Caetano Veloso, entre outros.
Em 1989 cantou em Paris, no aniversário de 200 anos da Revolução Francesa, e apresentou-se em Berlim. No ano seguinte foi a primeira cantora a se apresentar com a Orquestra Jazz Sinfônica, em seu concerto inaugural, no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Cantando Caetano, de 1992, teve a participação do próprio Caetano Veloso em No dia que eu vim-me embora. Em 94 foi a vez de Canta Mais, disco do qual duas faixas foram escolhidas para tema de novela. São elas: Canta, canta mais (Tom Jobim e Vinícius de Moraes e Pálida (Tavito e Aldir Blanc). A primeira foi de Éramos Seis e a outra de Fera Ferida.
No ano seguinte grava Vânia Bastos e Cordas Canções de Tom Jobim, CD que teve piano e orquestração de Francis Hime. Em seguida veio Diversões não eletrônicas (1997), trazendo como tema os grandes arranjadores e maestros brasileiros, com músicas inéditas e regravações, cada uma delas arranjada por um deles.
A música Por um beijo (Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense) também fez parte da novela Fascinação. Com esse CD Vânia ganhou o Prêmio Movimento de Música na categoria melhor disco vocal do ano.
1999 foi o ano da gravação e lançamento de Belas e Feras, registrando composições apenas de mulheres brasileiras, todas vivas, como Marina Lima, Rita Lee, Ângela Ro Ro, entre outras.
Na definição de Fernando Brant, Vânia Bastos é estrela de brilho próprio, clareira aberta na canção brasileira contemporânea.
É isso que os bancários de Brasília poderão conferir nesta sexta-feira 1º de setembro, a partir das 18h, na praça do Cebolão, no Setor Bancário Sul.


























































































































































